Terça, 21 Setembro 2021

Notícias de Saúde

Há 20 dias, o Brasil apresenta mais de mil vítimas na média de mortos pelo novo coronavírus confirmados em 24 horas. A média é de 1.029 vítimas nos últimos sete dias, conforme dados das secretarias estaduais de saúde captados pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte. Foram registradas 1.340 mortes nas últimas 24 horas. 

O número é o maior em 12 dias, desde as 1.439 vítimas computadas no dia 28 de janeiro. É o quarto dia com mais mortes em todo o ano. Em 28 de janeiro, o país registrou 1.439 mortes, a pior marca em 2021. Em outros dois dias houve mais óbitos do que hoje: 20 de janeiro (1.382) e 8 de janeiro (1.379). Isso não indica, porém, quando as mortes ocorreram de fato, mas sim a data em que passaram a constar dos balanços oficiais.

Este já é o segundo período mais longo com média de mortes por covid-19 acima de mil em toda a pandemia no Brasil. A maior sequência ocorreu entre 3 de julho e 2 de agosto (31 dias). Neste intervalo, houve o recorde de 1.097 óbitos em média, verificado em 25 de julho

Os dados do consórcio de veículos de comunicação têm como base os informes enviados pelas secretarias estaduais de Saúde. 

Em 29 e 30 de janeiro, o Brasil apresentou as maiores médias de mortes por covid-19 dos últimos seis meses: 1.068 e 1.071, respectivamente.

Desde o começo da pandemia, o total de mortes provocadas pela doença no Brasil chegou a 233.588. Houve 51.733 diagnósticos positivos para o novo coronavírus de ontem para hoje, elevando o total de infectados no país para 9.602.034.

Situação nos estados

Assim, o Brasil totaliza 233.577 óbitos causados pela covid-19 desde março de 2020, quando a pandemia teve início. Nos estados, sete apresentam aceleração nos casos, enquanto 14 permanecem estáveis e outros cinco têm queda nas contaminações. O Brasil está estabilizado, com queda de 2% em comparação há 14 dias.

Todas as cinco regiões estão estabilizadas: Centro-Oeste (14%), Nordeste (7%), Norte (2%), Sudeste (-4) e Sul (-15%). O país como um todo registra estabilização, com número 2% menor em comparação aos números registrados duas semanas atrás.

Dados da Saúde

Em boletim divulgado nesta terça-feira (9), o Ministério da Saúde divulgou que o Brasil registrou 1.350 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Segundo os dados do Ministério, esta é a terceira maior marca verificada neste ano.

Pelos números da pasta, os dias com mais mortes cadastradas ocorreram em janeiro: 7 e 28, com 1.524 e 1.386 óbitos, respectivamente. Desde o início da pandemia, 233.520 pessoas morreram devido à doença no país.

De ontem para hoje, houve 51.486 novos casos confirmados de covid-19. O país atingiu um total de 9.599.565 infectados desde o começo da pandemia. 

Segundo o governo federal, 8.523.462 pessoas se recuperaram da covid-19, com outras 842.583 em acompanhamento. 

Veja a situação por estado e no Distrito Federal:

Região Sudeste

Espírito Santo: queda (-30%)

Minas Gerais: estável (5%)

Rio de Janeiro: queda (-22%)

São Paulo: estável (8%)

Região Norte Acre:

aceleração (33%)

Amazonas: estável (-9%)

Novas mortes por dia - AM

Amapá: queda (-17%).

Pará: aceleração (69%)

Rondônia: estável (-1%)

Roraima: aceleração (121%).

 

Tocantins: aceleração (34%)

Região Nordeste

Alagoas: estável (-6%)

Bahia: aceleração (23%)

Ceará: estável (-12%)

Maranhão: aceleração (108%)

Paraíba: estável (1%)

Pernambuco: estável (4%)

Piauí: estável (15%)

Rio Grande do Norte: estável (-3%).

Sergipe: queda (-31%)

Região Centro-Oeste

Distrito Federal: estável (3%)

Goiás: aceleração (45%).

Mato Grosso: estável (5%)

Mato Grosso do Sul: estável (-7%) 

Região Sul

Paraná: estável (-13%)

Rio Grande do Sul: estável (-13%)

Santa Catarina: queda (-23%)

 

 

Lúcia Valentim Rodrigues, do UOL

O Ministério da Saúde e o governo do Amazonas receberam nos dias 16 e 18 de janeiro ofertas de três aeronaves, duas da ONU (Organização Nações Unidas) e uma do governo dos EUA, para transportar de forma mais rápida oxigênio até o estado, em crise com a alta de casos de covid-19 e com suprimento insuficiente do produto.

Ainda não há uma resposta sobre o caso, segundo apurou a repórter Rosiene Carvalho, apesar do sofrimento de tantas pessoas no norte do país.

Manaus tem ligação por terra precária com o restante do Brasil. A melhor solução seria o oxigênio chegar via transporte aéreo.

Procurado pelo UOL, o Ministério da Saúde informou que "as tratativas estão a cargo do MRE (Ministério das Relações Exteriores)". O Itamaraty não respondeu.

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que a exportação de 5.400 litros de insumos para a vacina CoronaVac está "em vias de envio ao Brasil" e deve chegar nos próximos dias.

A batalha dele é midiática e com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que hoje também fez um evento com ex-presidentes da República em defesa da vacinação. Participaram Michel Temer (MDB), José Sarney (MDB), por videoconferência, e FHC (PSDB), que esteve no local.

Fernando Collor (PROS), Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) foram convidados, mas não aceitaram comparecer.

Apesar da aprovação e do início da distribuição da CoronaVac em todo o país, ainda não há doses o suficiente para imunizar toda a população-alvo da primeira fase da vacinação. Levantamento do UOL aponta ao menos 14,8 milhões de brasileiros no grupo prioritário, enquanto, no presente momento, há apenas 10,8 milhões de doses da vacina contra a covid-19 em território nacional. 

veja o vídeo

Como a imunização de uma única pessoa é garantida somente após duas doses, são necessários 29,6 milhões de doses nesta etapa. 

Os 10,8 milhões de vacinas do país correspondem a 6 milhões de doses distribuídas entre os estados somadas aos 4,8 milhões já produzidos e que aguardam aprovação para uso emergencial por parte da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A quantia imuniza apenas 5,4 milhões de brasileiros, o equivalente a cerca de 2,5% da população do país.

Procurado pelo UOL, o Instituto Butantan afirmou que o acordo com a Sinovac garante a entrega de insumos suficientes para a produção de 46 milhões de doses no total.

Os materiais necessários para a produção da vacina vêm da China e, até a tarde de terça-feira (19), o instituto declarou que ainda não havia previsão de quando seria entregue o próximo lote.

Diretor do Butantan, Dimas Covas disse que a instituição aguarda a liberação de insumos pelo governo chinês há 15 dias. O instituto alegou estar dentro do cronograma de entrega de ao menos 8,7 milhões de doses até o fim de janeiro.

A primeira fase do plano de vacinação tem por alvo:

Profissionais de saúde;

Idosos com 75 anos ou mais;

Pessoas acima de 60 anos que vivem em casas de repouso e asilos;

População indígena aldeada em terras demarcadas;

Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas.

Quantidade de doses preocupa especialistas

Especialistas ouvidos pelo UOL afirmaram que a quantidade disponível de doses é preocupante e alertaram para a dependência de importação dos insumos tanto para a produção da CoronaVac quanto para a vacina da AstraZeneca.

A sanitarista Bernadete Perez Coelho, vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), chamou a quantidade de doses disponíveis de "uma gota no oceano".

Tem um marketing a partir de alguns gestores e disputa politica que não colocam o que tem no pano de fundo. Efetivamente, a gente tem o registro emergencial das 6 milhões de doses.

Bernadete Perez Coelho, médica sanitarista e vice-presidente da Abrasco.

O secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, declarou na terça que não há vacina para todos os grupos prioritários. Por isso, salientou que, mesmo entre trabalhadores de saúde, haverá priorização de profissionais, levando em conta quem está na linha de frente contra a covid-19.

Se pegar só a população prioritária, [temos] uma parte é dos idosos, uma parte é dos indígenas e [tem] uma parte que não vai chegar a um décimo dos profissionais de saúde, porque vão priorizar aqueles que trabalham em UTIs. É uma gota no oceano, não dá para nada.

Bernadete Perez Coelho, médica sanitarista e vice-presidente da Abrasco

á o médico Juarez Cunha, presidente da SBim (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirmou que, mesmo não sendo o ideal, a opção de priorizar determinados grupos dentro de uma população-alvo é a única possível no atual cenário.

Mas alertou para a demora que isso pode desencadear no calendário de imunização.

Não significa que as pessoas não devem ser vacinadas. Mas temos que trabalhar com a realidade. O que nos preocupa é que a realidade está mostrando que a nossa campanha provavelmente vai ter de ser muito mais lenta do que a gente imaginava.

Juarez Cunha, presidente da SBim 

Transferência de tecnologia

Os acordos de produção da CoronaVac e da AstraZeneca incluem a possibilidade de transferência de tecnologia para o Brasil —ou seja, para que todas as etapas de produção sejam realizadas no país. Isso eliminaria a dependência pelo envio de insumos, atual entrave enfrentado pelas autoridades para ampliar a vacinação.

O epidemiologista e professor da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Lotufo disse que, mesmo com a transferência de tecnologia, o processo para a produção 100% em solo brasileiro pode demorar a ocorrer.

"Se estivesse tudo certo para passarem [a tecnologia], levaria quase quatro, cinco meses, porque existe uma série de procedimentos a serem cumpridos."

Paulo Lotufo, médico epidemiologista e professor da USP.

"Tem muito a questão do controle de qualidade, como está sendo produzida [a vacina], e vai desde a questão inicial até a própria embalagem. Então não é assim de uma hora para a outra que se consegue fazer o medicamento", acrescentou.

Cunha concorda e disse não ver no primeiro semestre de 2021 a possibilidade de transferência de tecnologia.

Não vejo a possibilidade, neste semestre, de termos capacidade de autonomia total de produção, porque tem uma série de passos que devem ser feitos direitinho para isso acontecer.

Juarez Cunha, presidente da SBim.

"O contrato de transferência de tecnologia já existe. Provavelmente nesses contratos devem ter estipulado o momento que isso vai acontecer [da autonomia]. Não sei dizer se isso tem uma data definida, até porque temos vacina que demoramos cinco, dez anos, para adquirir expertise e qualidade para produzir em capacidade igual ou superior à dos locais de origem", declarou.

Pandemia não chegou ao fim

Bernadete Coelho observou que, apesar de a imunização ser uma boa notícia, a vacina não é "resposta única à pandemia". A sanitarista mencionou a necessidade de manter medidas de proteção social, como uso de máscaras e distanciamento.

A gente tem visto aumento de casos em janeiro. Quanto mais veloz é a epidemia e a transmissão é mais ativa, maior a probabilidade de aparecerem mutações. Esse é o xis da questão

Bernadete Perez Coelho, médica sanitarista e vice-presidente da Abrasco

Reportagem recente do UOL reuniu relatos de especialistas apontando infecções mais graves e com maior velocidade de propagação do que na primeira onda de covid-19 no Amazonas. 

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